Projetos Esquadrias de Madeira
Mirandópolis SP — Esquadrias desenhadas a partir da memória
Esta residência em Mirandópolis SP tinha um significado que ia além da própria reforma.
O proprietário, engenheiro civil residente em São Paulo, mantinha uma forte ligação afetiva com a casa dos avós e com as lembranças de infância vividas naquele lugar. Essa relação esteve presente durante o desenvolvimento do projeto e influenciou diretamente a escolha e o desenho das esquadrias.
A intenção não era simplesmente substituir portas e janelas por modelos novos. Havia uma linguagem que precisava ser preservada — e, em vários pontos, reconstruída por meio de peças desenvolvidas especialmente para a residência.
As portas são um bom exemplo. O desenho das réguas e das travessas foi definido conforme as referências apresentadas pelo proprietário, exigindo a criação de uma configuração específica para esta obra. Esse mesmo desenho foi aplicado também às folhas de abrir das janelas, criando uma relação direta entre portas e janelas e reforçando a unidade visual do conjunto.
Outro detalhe marcante está nas cabeceiras dos batentes das portas, que não seguem a solução convencional: elas ultrapassam a largura da porta dos dois lados e passam a participar visualmente do desenho da esquadria.
As janelas apresentam diferentes soluções. O projeto reúne janelas de abrir, janelas guilhotina e composições com folhas projetantes, mantendo entre elas uma identidade comum por meio das proporções, das divisões, das ferragens e da combinação entre azul e branco.
Na varanda, a sequência de janelas reforça essa característica e cria um ritmo próprio na fachada. Nos ambientes internos, as diferentes formas de abertura e os desenhos das folhas revelam uma residência em que cada esquadria foi tratada como parte efetiva da arquitetura.
O resultado é particularmente interessante porque não procura acompanhar uma tendência. As escolhas remetem à história daquela casa e às referências que faziam sentido para quem a conhecia desde a infância.
Neste projeto, produzir sob medida significou também respeitar uma memória: interpretar modelos, proporções e detalhes para que novas esquadrias pudessem preservar parte da identidade que o proprietário desejava reencontrar na residência.
Destaque do projeto: portas e folhas de abrir das janelas desenvolvidas com o mesmo desenho exclusivo de réguas e travessas, cabeceiras de batentes prolongadas e diferentes tipologias de janelas reunidas pela mesma linguagem arquitetônica.